Os Mistérios da Magia

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Fabre D:Olivet, Antoine.  Ocultista francês do século XVIII que tentou reviver o místico pitagórico.

Familiares.  Demônios serviçais ligados a um feiticeiro ou bruxa. As vezes assumem as formas de um ser humano, mas quase sempre aparecem como animais: lagartos, corujas, gatos, cães, macacos, cabras, morcegos, etc. Tais demônios estão identificados por nomes nos escritos demonológicos: Phrin, Rapho, Robin, Zewuiel. O grande mago Agrippa Von Nettesheim possuía um cão negro chamado Monsier. Oliver Cromwell, segundo a lenda, tinha um “familiar” chamado Grimoald. Em 1303, o rei Felipe IV, da França, acusou o papa Bonifácio VIII de ser feiticeiro e possuir um espírito familiar. A noção de que os feiticeiros fazem comércio com os demônios é conhecida e muito antiga, mas o conceito de um demônio familiar que aconselha, adverte, acompanha e protege um indivíduo particular nas suas atividades mágicas somente tornou-se popular a partir do século XIV. Já no final desse século o espirito familiar tornara-se uma acusação rotineira nos processos de feitiçaria. Em muitos casos, dizia-se que o familiar não existia de forma corporificada, mas sim apenas como espírito. Leopoldo, irmão de Frederico III, da Austria, tentou usar Truwesniel, o espírito familiar de um feiticeiro, para libertar seu irmão na prisão. Em 1326, Truwesniet apareceu diante do prisioneiro como um simples e pobre professor, mas foi expulso pelo sinal-da-cruz.

Fausto.  Fausto é o protótipo do homem que vende a alma ao diabo em troca de juventude, honras, riquezas. No ocultismo, o objetivo profundo de Fausto é a obtenção do conhecimento sobre a vida e a morte. Segundo lendas e relatos, existiu realmente na cidade de Praga (Tchecolosváquia) um indivíduo com esse nome. Era praticante da magia, invocou espíritos de Wittemberg (República Democrática Alemã) e afirmava ter visitado o inferno na companhia de Belzebu. Fausto, que realizava curas misteriosas e, dizia-se, era capaz de voar pelos ares, foi amaldiçoado por Lutero e feito prisioneiro. Ao final do pacto, o diabo causou-lhe uma morte horrível. Depois disso, ele teria aparecido várias vezes a seu fiel servidor Christofer Wagner. O poeta alemão Goethe celebrizou a lenda de Fausto ao escrever o poema que leva seu nome.

Feitiçaria.   É praticamente impossível chegar-se a uma definição clara e completa de feitiçaria, da mesma forma que seu quase sinônimo bruxaria. Embora, do  ponto de vista da igreja antiga, feitiçaria seja o comércio com entidades demoníacas com o propósito de praticar o mal, interpretação ocultista do termo é completamente distinta. Está nesse último caso, mais relacionada com a possibilidade de manipulação – para o mal ou para o bem – de forças e energias naturais, a partir de capacidades mentais e do espírito, como a concentração, a mentalização, a vontade.
Mas a noção prevalente, a nível popular, ainda é a da Igreja. Entre as características apontadas da feitiçaria estão: perturbações da atmosfera: capacidade de viajar em vassouras e outros veículos: envio de animais, à noite, para o desempenho de missões ordenadas por seus mestres feiticeiros: metamorfoses; uso de substâncias mágicas (óleos, filtros, elixires, etc.) capazes de provocar radicais mudanças de comportamento de uma pessoa; encontros noturnos; escolha de dias santos da Igreja para tais encontros; considerar as abelhas como maus espíritos; associação da escuridão ao mal; canibalismo associação de feiticeiras com certos animais – gatos, lagartos, sapos, corujas, galos, cavalos, etc.; nudez e danças circulares; encruzilhadas, o mau-olhado, as ligaduras; pacto com demônio; orgias sexuais, incluído cópula com demônios; o uso do sal grosso para evitar o mal; a tendência a associar a feitiçaria primeiramente com as mulheres.

Feitiçaria, Ato de. Na Inglaterra, o Ato de Feitiçaria , promulgado em 1735, estipulava que a feitiçaria não existia e que qualquer pessoa que clamasse possuir poderes sobrenaturais seria processada. Mas foi somente em 1951 que a legislação britânica eliminou a última referência à feitiçaria de seu Código Penal.

Feitiçaria, Teóricos da.  Inúmeros autores escreveram sobre o assunto, mas a maioria dos seus livros é hoje raridade, encontráveis apenas nas grandes bibliotecas ou coleções especializadas. Entre os que escreveram antes da publicação do famosíssimo Malleus Maleficarum (publicado em português pela Editora Três, número especial de Planeta, sob o título O Livro da Caça às Bruxas), estão: Johannes Nider, Jean Vineti, Johann Hartlieb, Nicholas Jacquier, Alphonsus de Spina, Girolamo Visconti, Petrus Mamor, Ambrogio de Vignati, Jordanes de Bergamo e Jean Vincent.

Feiticeira.  Embora o feitiço possa ser feito tanto pela mulher como pelo homem, a palavra celebrou-se no feminino, devido ao número muito maior de mulheres que, nos séculos da Inquisição, foram acusadas de prática da feitiçaria. Quase sinônimo de bruxa, acabou-se, com o tempo – e em termos de processos criminais - , estabelecendo-se uma distinção entre as duas palavras: tanto a bruxa quanto a feiticeira aprendem suas artes mágicas de demônio; mas a primeira, para conseguir isso, vende a própria alma ao diabo, enquanto a segunda permanece livre mesmo após adquirir o conhecimento. Segundo a visão européia, uma feiticeira pode parecer jovem  e bela e ser, na realidade, velha, repulsiva, marcada com o sinal do diabo. Ela come carne humana bee sangue humano, constrói boncas que representam seres humanos, perturba as forças da natureza (pode desencadear tempestades ou períodos de seca etc.), engendra vinganças terríveis contra aqueles que a ofendem, copula com quem deseja, ameaça as hostes infernais e recorre a um vasto arsenal de fórmulas, substâncias e ferramentas para produzir sua arte. Como a feitiçaria atingiu seu apogeu durante a Idade Média muitas designações para feiticeira ou bruxa são em latim, o veículo literário corrente na época: lamia, maga, maleficu, saga, sortilega, strix, venefica.

Feiticeiras, Queima de.  Em um livro intitulado Witchcraft (“Feitiçaria”), publicado em 1965, a pesquisadora Justine Glass estima em cerca de nove milhões o número de homens e mulheres que foram executados, quase sempre na fogueira, durante os séculos de perseguição.

Feiticeiras, Tipos de. De acordo com o Malleus Maleficarum, existem três tipos fundamentais de feiticeiras: as que injuriam mas não podem curar; as que curam mas não podem injuriar; e as que podem fazer as duas coisas. Entre as que injuriam, uma classe é capaz de produzir todo tipo de feitiço. Elas devoram crianças, desencadeiam tempestades, causam esterilidade em homens e animais, sacrificam crianças não batizadas ao demônio; essas crianças, às vezes, são seus próprios filhos.

Fetiche. Um objeto material com poderes mágicos. Pode conter um poderoso medicamento, “como a urina de uma virgem”ou a visícula biliar de um crocodilo. Pode ser uma pequena escultura, uma gravação em madeira ou pedra, uma figurinha, ou parte de um objeto material (o dente ou garra de um animal, por exemplo). O fetiche, supostamente, protege seu possuidor contra o mal, ajuda-o a recuperar a saúde, promove fertilidade, etc.

Fetichismo. Toda forma de crença em fetiches, objetos ou substâncias materiais que supostamente, são pontos fixadores de poderes ou espíritos sobrenaturais. A idéia essencial do fetichismo, segundo a qual poderes espirituais residem em objetos materiais, tem sua origem na crença dos povos primitivos – e também povos avançados – em lugares sagrados, plantas sagradas, relíquias, etc. O visgo planta sagrada dos druidas, a cruz e o grande número de amuletos atestam a tendência universal de adesão de crenças fetichistas.

Flamel, Nicolas. Grande alquimista francês dp século XIII, Flamel perseguia a perfeição espiritual e o conhecimento do universo, recorrendo para tanto à linguagem da fé cristã. Flamel afirmava que a alquimia o havia purificado de seus pecados, transformando-o num ser suave, piedoso e generoso, “enchendo-o, continuamente, com a graça e a misericórdia de Deus”. Fracassando como escrevente público, poeta e pintor, ele teve êxito como astrólogo. Começou a estudar as artes mágicas, particularmente a alquimia.

Flammarion,  Camile (1842-1925). Importante astrônomo francês, criador da palavra “psíquico” com o sentido que até hoje mantém, ou seja, relacionando-a com poderes invisíveis da mente humana. Flammarion acreditava que forças naturais desconhecidas, “tão reais quanto a fôrça de gravidade e tão invisíveis quanto a mesma”, eram responsáveis por fenômenos como a levitação, telepatia, clarividência, etc.

Fludd,  Robert (1). Célebre filósofo e hermetista inglês, deixou extensa obra 574-1637 escrita sobre temas místicos e ocultistas. Era o chefe de uma agremiação chamada “filósofos do fogo””  e é também conhecido por seu nome em latim, Robertus de Fluctibus. Escreveu a Filosofia Mosaica e Summum Bonum, tratados em defesa da necromancia.

Fogo, Caminhar sobre o. Em praticamente todoso os continentes, mas de forma mais acentuada na Índia, Japão, Guiana Holandesa e outros paises do Oriente, os rituais de caminhar sobre o fogo (ou sobre brasas ardentes) fazem parte dos cerimoniais religiosos místicos. Em certas ilhas dos mares do Sul, no Havaí, por exemplo, existem ritos regulares envolvendo o caminhar descalço sobre brasas ou mesmo sobre a lava incandescente  dos vulcões, Sacerdotes, feiticeiros, indígenas dessas localidades, conseguem, segundo relato de inúmeras testemunhas estrangeiras, escapar incólumes dessas aventuras. O objeto da prática de caminhar sobre o fogo parece ser sempre de tipo purificador ou libertório.

Fogo, Invocação do. Os ciganos russos invocam o fogo quando desejam punir o inimigo. Diante de uma fogueira, recitam estes versos:

Fogo, puna aquele que fez o mal você detesta a falsidade,
Você elimina tudo que é impuro, você destrói os que ofendem;
Sua chama consome a terra.
Consuma... se ele disse o que não é verdade,
Se ele pensar mentira, se ele agir de forma frandulenta.

  Fort,  Charles  (1874-1932).   Ocultista americano que conseguiu célebre reputação com a sua obra O Livro dos Danados (publicado no Brasil pela Editora Hemus). Essa obra relata um grande número de acontecimentos reais, porém inexplicáveis, convencendo os leitores de que o autor estava em comunicação direta com o mundo espiritual.

Fortune, Dion. Ocultista inglesa da primeira metade deste século. Fundadora da Society of the Inner Light (Sociedade da Luz Interior), acreditava que o conhecimento teórico e prático da magia era um bom caminho para se chegar à união divina. Estudante séria da cabala, Dion Fortune escreveu grande quantidade de livros, muitos dos quais já publicados em português, como os famosos Autodefesa Psíquica e A Cabala Mística.

Fox, Irmãs. Katie e Margaretta. Fox foram, provavelmente , as primeiras médius espiritualistas dos Estados Unidos. Ruidos de toques sobre a madeira de móveis e outros objetos eram considerados por elas como respostas inteligentes dadas por espíritos desencarnados às suas perguntas. Usando informação obtida dessa maneira, as duas irmãs descobriram que um ocupante anterior da casa onde viviam, de nome Charles Haynes, tinha sido assassinado. Ambas conseguiram notável fama nos Estados Unidos e no exterior, mas foram também acusadas de fraude. Investigadores da parapsicologia afirmam hoje que ambas, por causa de sua juventude, atraíam poltergeists  (anjos brincalhões).

Frazer, Sir James George (1854-1941). Antropólogo e mitólogo escocês, possuía vastos conhecimentos  das culturas primitivas e suas tradições mágicas e mitológicas. Publicou muitas obras, entre as quais e a mais importante, A Rama Dourada, primeiramente publicada em dois volumes (1890) e mais tarde em doze (1911-1915). Em 1982 foi publicada no Brasil em português, uma edição abreviada dessa obra. Frazer foi o primeiro estudioso a aplicar o método comparativo ao estudo do totemismo. Seus estudos estão baseados na premissa da “unidade psíquica” do homem através do tempo.


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