Agência EFE
Quando uma pessoa olha nos olhos de uma pessoa ou desvia o olhar do que lhe incomoda ocorre um efeito na forma em que o cérebro percebe as emoções e interpreta as expressões, segundo um estudo da revista "Science" publicado hoje, quinta-feira.
Um grupo de pesquisadores da Universidade Dartmouth (New Hampshire) descobriu que a direção do olhar de outra pessoa influi em como nosso cérebro responde ao temor ou à ira que expressa essa pessoa.
Especificamente, assinalaram os pesquisadores, o olhar de outra pessoa influi na área da amígdala cerebral, que tem forma de amêndoa e recebe os sinais do perigo potencial, desencadeando reações que facilitam a defesa.
Os pesquisadores começaram a descobrir na década de 1930 evidências de que a amígdala cerebral estava envolvida no medo.
Os macacos com danos nesta amígdala mostravam um diminuição drástica desse sentimento. Depois, estudos com ratos demonstraram que os danos na amígtdala cerebral os levava a se aproximar dos gatos.
O relatório de Dartmouth assinala que quando se olham imagens de expressões de ira, as pessoas exibem maior atividade da amígdala cerebral se a pessoa zangada que aparece na imagem tem olhar desviado.
Esse estudo é o primeiro a demonstrar que a direção do olhar é um elemento importante na forma com que percebemos as expressões faciais, segundo os autores.
"Algumas pessoas se surpreenderão em saber que a amídala cerebral de fato respondeu mais quando os sinais de ameaça eram ambíguos", disse Reginald Adams, chefe da pesquisa.
"Isto pode indicar que esta amígdala percebe a ameaça maior na incerteza, ou que a amígdala teve que trabalhar mais para encontrar o sentido na ambigüidade dessa ameaça", acrescentou.
Para o estudo, os participantes observaram fotografias de outras pessoas com expressões de ira e temor. Nas imagens, as pessoas apareciam olhando em diferentes direções.
A atividade cerebral dos participantes foi captada mediante a imagem de ressonância magnética.
Os pesquisadores disseram que a direção do olhar é importante para determinar se a ameaça iminente provêm da pessoa que apresenta a expressão, ou de outro elemento perigoso no ambiente.
"Estas conclusões sublinham a necessidade que se inclua a direção do olhar nas futuras pesquisas que examinarem a maneira com que se percebem e se processam as emoções", disse Adams.
Fonte: www.silvanaprado.psc.br
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