A chamada 'delinqüência juvenil' parece hoje uma expressão até poética, pois designava crimes de naturezas diversas. No entanto, há nos dias atuais uma distância bem grande dessa 'delinqüência' e da nossa ‘violência juvenil', que surpreende pelo seu grau de inconseqüência, pela capacidade em nos deixar cada vez mais em estado patético.
É saudável e bem oportuno discutir a "revisão" da maioridade, é muito construtivo que o tema seja debatido à exaustão. Parece que é preciso esperar algo muito grave acontecer – para um assunto deixar de ser tratado como “questão de somenos importância”. Ou seja: ...depois da porta arrombada, tranca de ferro?... Parece que os adultos de hoje, com filhos ou não , nunca foram jovens, adolescentes, ‘moços e mocinhas', ‘rapazolas e raparigas', enfim, pertencentes a épocas em que eram assim designados, eles mesmos fazem questão de não falar no assunto , ou são extremamente moralistas, cujo dedo aponta na direção externa: é a família ou o filho alheio. Aliás, quanto mais nebuloso foi este passado, em geral, maior é a tendência a uma atual hipocrisia. Até parece que nunca houve uma juventude inconseqüente desde que o mundo é mundo.
Eles, estes jovens, adolescentes criminosos, inconseqüentes psicopatas, viciados, ‘super-heróis do mal', etc. não se formaram num estalar de dedos, são obra antiga e estão apenas refletindo boa parte do que receberam – nada de afeto, nada de atenção, negligência com suas tendências precocemente violentas. Sabe-se que nenhum viciado se cria sem haver alguém que colabore.
Precisamos chegar à origem da história familiar destes criminosos – quem foram os pais? Qual o ambiente doméstico? Como era o restante da família, se havia? Qual era o cociente emocional, intelectual, afetivo dessa mulher, da sua mãe, especificamente? Será que ela era ‘normal', foi bem acompanhada por sua família de origem? Qual sua história? E o pai, quem é ele? Qual sua participação ou falta de presença nesta história?
Afinal de contas, ao que parece, as pessoas preocupam-se mais em denunciar mães que criam seus filhos com sacrifício e responsabilidade unicamente por inveja, preconceito e falta de coisas mais úteis para fazer, e deixam passar casos como este, onde anos se passam e nenhuma denúncia anônima é feita.
O resultado? Este. E outros virão, até que se pense e tenhamos uma visão equilibrada, realista e um programa conjunto entre governo, escola e comunidade. Observar sim, anomalias desde a infância e que se tratem delas devidamente.
Amanhã, qualquer um de nós, parentes ou não, continuaremos a ser não só esfaqueados, mas queimados, torturados, violentados, mortos a tiros ou qualquer outra forma de crime bem ‘criativo', nos quais essa turma é muito bem capacitada. Não há limites para a violência de um “delinqüente do século XXI”, às nossas ordens para o que der e vier.
DENISE CAMILLO:
Editora e revisora, Administrador de Empresas, Locutora e Produtora de rádio.
Participou de Coletâneas pelas Editoras TABAS Cultural e Litteris Editora, na década de 90 nas categorias prosa poética e poesia.
Estreou no quadro “Novos Talentos”, do Programa Musical “Melodias de Todos os Tempos”, Rádio Carioca (1993), produziu e apresentou a “Crônica do Dia”; “Novos Talentos” e “Curiosidades” do programa, onde integrou a equipe de produção.
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