Editor Responsável: Francisco Paulino Campelo
Trova é a composição poética formada cada estrofe
por 4 versos de 7 sílabas, rimando o primeiro verso com o terceiro; e
o segundo com o quarto, concluindo uma idéia, um pensamento de
sentido perfeito. A
Trova, no nosso entender, é tão popular quanto o cordel.
É, contudo, uma espécie mais pura, erudita, profunda na
transmissão da idéia a que se destina.
Há quem diga, em tese, que a trova esta para o cordel, assim
como a música clássica está para a música popular.
É preciso todavia que se não confunda trova com
quadra. Se numa
estrofe de 4 versos não forem observadas as regras clássicas quanto
a rima, número de versos, e idéia completa, perfeita e acabada,
ter-se-á, quando muito, uma quadra, nunca uma trova.
O LÚDICO NA TROVA
APRESENTAÇÃO
Convidada a participar do movimento trovístico, entusiasmei-me desde
os primeiros contatos tal era a alegria e o companheirismo que notei
entre os participantes do grupo. Esses sentimentos nobres em breve me
contagiaram eu que, até então, embora
colecionadora de trovas desde os anos 60, quando o Suplemento de “O
JORNAL”, órgão líder dos Diários Associados, publicava a cada
domingo, uma seleção denominada TROVALORIZANDO, coordenada por
Symaco da Costa, ainda não havia tentado compor uma sequer.
Ao convite, procurei saber o que era uma trova, conhecedora de suas
principais características, tentei e fiz quatorze, é claro que nem
todas boas.
Com a convivência fui tomando conhecimento de verdadeiras pérolas clássicas
e também de algumas variantes que se obtém dispondo as trovas de
acordo com certas regras.
Assim, encantei-me com as trovas a duas e a quatro mãos, com o
Pingue-pongue de trovas, com o Colar de trovas, com a Glosa, com a
Grinalda de trovas, com a Cartrova, criada por José Miranda Jordão e
seu maior cultor,( também Paulo Lopes a utilizava muito), com as
trovas Adivinhas, que vi pela primeira vez, publicadas regularmente,
na revista ECLÉTICA, de Elmo de Paula Araújo. Em uma palestra em
Afonso Cláudio(ES) a ilustre trovadora Zeni de Barros Lana apresentou
um tema sobre A Música na Trova. Atualmente, o jornal “O GLOBO”
publica, em seu segundo caderno, charadas adicionadas e sincopadas em
trovas e também trovas como resultado do enigma “passo do
cavalo”. Tendo recebido sugestões, novas atrações foram
acrescentadas: Chuva de Trovas, a trova no Humor, na Culinária, no
Coro Falado, no Desafio e na Rodada. Também na religião, os temas são
interessantes: a Bíblia, o Rosário e a Missa expressos em trovas.
Uma colega, Clélia Rosa de Lima sugeriu um nome que me encantou: “O
LÚDICO NA TROVA “. Assim surgiu a idéia de colecionar essas
preciosidades formando, então, este despretensioso livrinho.
Recorri a muitas fontes, usei trabalhos inéditos e outros já
publicados. Quando isso acontece, tenho o máximo cuidado em citar a
fonte.
Agradeço toda a colaboração que, sem a qual, este trabalho não teria sido possível.
Agradeço de modo especial a minha prima Zeni de Barros Lana que fez a
revisão e o Prefácio.
Sendo o meu primeiro trabalho, estou aberta a sugestões e críticas
construtivas que visem seu aprimoramento, o que agradecerei penhorada.
Ida Dutra Sacramento.
GLOSA DE TROVAS
É a composição poética que se origina de uma trova, geralmente clássica,
chamada MOTE. Dela derivam quatro novas trovas. Cada uma destas
tem, inserido, um verso do mote. Deve-se à ilustre trovadora
Amália Max, a chamada glosa perfeita, em que cada verso conserva a
posição original do mote. São muitos os cultores da Glosa de
Trovas. Reproduzimos os exemplos que achamos mais expressivos.
I
Mote:
Desejo realizado
é festa que já acabou...
Prefiro o sonho dourado
de um amor que começou
Jair Desidério da Silva (Jadesil)
Glosa: Desejo realizado
não é ilusão, utopia,
pois é vivido provado
nas metas do dia-a-dia.
Se satisfeito, em verdade,
é festa que já acabou,
mas traz a felicidade
do sonho que acalentou.
Ao desejo vivenciado
que do tempo a névoa apaga,
prefiro o sonho dourado
da ilusão que nos afaga.
E ao viver a minha história
que o destino projetou,
meu desejo é a trajetória
de um amor que começou.
ISA BELANNE.
II
Mote: Poesia é ar, é doçura
na vida de quem é poeta
pois na rima ele procura,
felicidade completa.
Inocêncio Candelária
Glosa: Poesia é ar, é doçura,
emoção que sai da gente
todo o mundo de ternura
que quase ninguém sente.
Sintetizando venturas,
na vida de quem é poeta,
encontra-se a formosura
da alma que sofre, secreta.
Com alegria e candura,
abre todo o coração
pois na rima ele procura
colocar toda a emoção.
Escrevendo com bondade,
seus sentimentos são meta:
a paz e a simplicidade -
felicidade completa.
VALDECI CAMELO
Livro completo em: http://www.oludico.cjb.net
Francisco Paulino Campelo: Advogado, Professor de Português, Poeta,
Cordelista, Assessor do Presidente da Academia Brasileira de
Literatura de Cordel.
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