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O artista é como um surfista
no mar perigoso da vida.
Na sua prancha colorida, ele desliza e se equilibra
nas ondas tortuosas e transparentes, agita nosso sangue-frio,
a nossa adrenalina.
E a gente se pergunta:
Como ele consegue ser ‘uma cigarra’?
Esse cara não faz nada, só faz
poesia, letra, música, pinta, dança, canta, representa.
Esse cara não existe, é um desvairado, um louco, um suicida.
Mas ele não se importa: na sua prancha suicida
ele se equilibra, e ainda nos dribla.
Nós, os medrosos, que só caímos no mar
em navios, veleiros, iates, jangadas,
escunas, roupas de mergulho, esquis,
não sabemos como esse artista,
o tal e qual surfista, consegue sobreviver.
A covardia é nossa ou a ousadia é dele?
Não sei, não quero responder.
Aqui de cima da minha prancha
é difícil encarar essa questão.
Não tenho tempo para isto,
estou ocupada, deslizando sobre as ondas,
sobre o meu mar da intranqüilidade...
DENISE CAMILLO:
Editora e revisora, Administrador de Empresas, Locutora e Produtora de rádio.
Participou de Coletâneas pelas Editoras TABAS Cultural e Litteris Editora, na década de 90 nas categorias prosa poética e poesia.
Estreou no quadro “Novos Talentos”, do Programa Musical “Melodias de Todos os Tempos”, Rádio Carioca (1993), produziu e apresentou a “Crônica do Dia”; “Novos Talentos” e “Curiosidades” do programa, onde integrou a equipe de produção.
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